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Glossário de psicanálise

Palavras que aparecem nos textos do blog e na clínica, explicadas sem tecniquês.

Angústia

Um aperto sem endereço. Diferente do medo, que tem objeto (você teme algo identificável), a angústia aparece sem que se saiba exatamente de quê. Na psicanálise, ela é tomada como sinal: algo pede para ser escutado, e não apenas silenciado.

Para ler mais: Ansiedade: quando a angústia pede escuta

Associação livre

A regra básica da sessão: dizer o que vier à cabeça, mesmo que pareça sem importância, sem sentido ou constrangedor. É justamente no que parece desviar do assunto que costumam aparecer as ligações que você sozinho não conseguia fazer.

Para ler mais: O que é psicanálise (e o que ela não é)

Ato falho

A palavra trocada, o esquecimento inesperado, o lapso que escapa no meio da frase. Para a psicanálise, não é um simples erro: é um momento em que algo que não estava sendo dito encontra uma brecha para aparecer. Acontece com mais frequência na língua materna.

Para ler mais: Por que fazer terapia em português, mesmo falando outra língua todos os dias

Desejo

Não é o mesmo que vontade ou meta. É aquilo que move alguém, muitas vezes sem que a pessoa saiba ao certo o quê. Por isso é comum travar justamente diante do que mais se quer: desejar também assusta.

Para ler mais: Não é preguiça: sobre adiar o que você mesmo escolheu

Elaboração

O trabalho psíquico, lento, de dar lugar e sentido a uma experiência difícil. Elaborar uma perda não é esquecê-la nem superá-la: é fazer com que ela deixe de ocupar o centro e passe a ocupar um lugar.

Para ler mais: O luto que ninguém autoriza, Luto migratório: a saudade que não é só saudade

Enquadre

O conjunto de combinações que sustentam o trabalho: horário fixo, frequência, duração da sessão, sigilo e forma de pagamento. Parece burocracia, mas é o que cria um lugar estável onde é possível falar do que é instável.

Para ler mais: Por que a terapia não tem prazo certo

Escuta

A posição do analista na sessão. Não é apenas ouvir com atenção: é acolher o que é dito sem pressa de aconselhar, corrigir ou julgar, prestando atenção também no que se repete, no que se evita e no que escapa.

Para ler mais: O que é psicanálise (e o que ela não é), Como saber se eu preciso de terapia?

Inconsciente

Aquilo que nos move sem que saibamos. Não fica enterrado num porão: aparece na superfície, nos sonhos, nos lapsos, nas repetições e no jeito como contamos a própria história. A análise aposta que você sabe, sem saber que sabe.

Para ler mais: O que é psicanálise (e o que ela não é)

Luto

O trabalho psíquico diante de uma perda. Freud mostrou que ele não se faz só pela morte de alguém, mas também pela perda de um lugar, de um ideal, de uma relação ou de uma versão de si. Luto precisa de tempo e de testemunha.

Para ler mais: O luto que ninguém autoriza, Luto migratório: a saudade que não é só saudade

Repetição

A tendência a reencenar uma mesma configuração afetiva, mesmo quando ela faz sofrer, como se algo insistisse em ser jogado de novo na esperança de terminar diferente. Freud a chamou de compulsão à repetição.

Para ler mais: Por que eu sempre me apaixono pelo mesmo tipo de pessoa

Resistência

Tudo o que, no processo, freia o contato com o que dói: faltar à sessão, chegar sem assunto, achar que já falou de tudo. Não é má vontade nem fracasso. É um sinal de que o trabalho se aproximou de algo importante, e por isso merece ser falado.

Para ler mais: Por que a terapia não tem prazo certo

Sintoma

Na medicina, sinal de doença. Na psicanálise, também uma forma de dizer algo. O sintoma não é só o inimigo a eliminar: muitas vezes é a única saída que a pessoa encontrou para expressar que alguma coisa não vai bem.

Para ler mais: Quando a dor não aparece no exame: o corpo que fala pelo sintoma, Ansiedade: quando a angústia pede escuta

Somatização

Quando uma emoção que não encontra palavra se expressa pelo corpo: dor, tensão, problemas gástricos, alterações do sono. Não é invenção nem frescura. O acompanhamento médico continua necessário, e a escuta ajuda a abrir outra via, a da palavra.

Para ler mais: Quando a dor não aparece no exame: o corpo que fala pelo sintoma, Dificuldade de chorar: o que o bloqueio emocional revela

Transferência

Os afetos e expectativas de relações antigas que se atualizam na relação com o analista: o medo de decepcionar, o desejo de agradar, a espera de uma resposta pronta. Longe de atrapalhar, é por onde a análise trabalha, porque a cena antiga aparece ao vivo e pode ser olhada.

Para ler mais: Por que eu sempre me apaixono pelo mesmo tipo de pessoa

Os conceitos ajudam a entender; a experiência acontece na conversa.